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Vereador André Carús é preso em operação em Porto Alegre

Polícia Civil investiga crimes contra administração pública e associação criminosa na Câmara Municipal

O vereador André Carús (MDB), de 37 anos, foi preso na manhã desta terça-feira em uma operação da Polícia Civil em Porto Alegre. A ofensiva, chamada de Argentários, foi deflagrada para combater crimes contra administração pública e associação criminosa no âmbito da Câmara Municipal da cidade. Devem ser cumpridas hoje 13 ordens judiciais na Capital. 

Carús é suspeito de fazer parte de um esquema de empréstimos pedido de servidores públicos municipais lotados no gabinete dele. A investigação busca comprovar que esses funcionários estariam sendo obrigados a contrair empréstimos em instituição financeira para saldar dívidas pessoais contraídas pelo vereador. Alguns mandados foram cumpridos na casa do vereador e na Câmara Municipal da Capital, no Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e no Departamento Municipal de Habitação (Demhab)  

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do vereador relatou surpresa com a prisão. No primeiro momento, a assessoria só deverá se manifestar sobre o assunto quando estiver totalmente a par da investigação.

Em entrevista à Rádio Guaíba, o delegado Max Otto Ritter, que lidera a operação da Polícia Civil, relatou que outras duas pessoas foram presas. "Não vou entrar em detalhes, mas o que posso dizer é que não são servidores concursados, são pessoas que tem cargo em comissão e estão vinculadas aos departamentos em que fizemos busca e apreensão: Demhab e Dmae. Ainda precisamos verificar o caminho do dinheiro, se estas pessoas que contraíram os empréstimos de fato receberam a quantia", explicou. 

Trajetória política 

Carús concorreu pela primeira vez ao cargo de vereador em 2008 quando alcançou a suplência com 2.148 votos. Foi novamente suplente em 2012 e, entre 2013 e 2016, foi diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Já nas últimas eleições municipais, em 2016, foi eleito vereador com 6.882 votos, o segundo mais votado do MDB.

Polícia Civil deverá cumprir 13 mandados na operação Argentários / Foto: Polícia Civil / Divulgação / CP 

Pedido de exoneração em 2016 

Em novembro de 2016, quando então exercia o cargo de diretor do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), André Carús pediu exoneração um dia depois que o Ministério Público deflagrou uma operação Fosso de Tártato, que à época investigava crimes contra administração pública no órgão. Após a saída de Carús, quem assumiu o cargo até janeiro do ano seguinte foi o então diretor-adjunto Vercidino Albarello. 

Na ocasião, Carús afirmou que a decisão pelo desligamento do cargo de diretor do DMLU foi tomada com a intenção de não "deixar pairarem quaisquer dúvidas com relação ao melhor andamento das investigações iniciadas pelo Ministério Público Estadual”.

A operação Fosso de Tártato, realizada em novembro de 2016 no DMLU, apurou a prática de estelionato, peculato, concussão, crimes licitatórios, corrupção, além de possível associação criminosa e lavagem de dinheiro. Além de Carús, ao menos outras quatro pessoas foram investigadas naquela oportunidade. 

 

Foto: Guilherme Almeida

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