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Trabalhadores temem fechamento de unidades da JBS no RS

Preocupação com situação dos frigoríficos da Seara/JBS no RS

Trabalhadores da JBS no Rio Grande do Sul querem incluir nos acordos de leniência a garantia aos empregos e aos produtores integrados da empresa. Eles temem que, como vem acontecendo em outros estados, como São Paulo e Santa Catarina, a empresa feche unidades também em solo gaúcho, provocando demissões em massa. O tema foi debatido na tarde desta segunda-feira (4) em audiência pública da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Altemir Tortelli (PT). “Os diretores da empresa que cometeram crimes contra a administração pública devem responder por isso na Justiça, mas a empresa e os empregos dos trabalhadores devem ser preservados”, defendeu o parlamentar.

A JBS emprega 130 mil trabalhadores no Brasil. No Rio Grande do Sul, são nove mil postos distribuídos em 19 unidades, localizadas em dez municípios. A partir da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, deflagrada em março deste ano, a empresa entrou em crise. Até agora nenhuma unidade gaúcha foi fechada, embora algumas tenham reduzido a produção e entrado em férias coletivas. “O sinal de alerta está ligado, e o quadro é de extrema insegurança. Desde as delações atingindo o presidente e membros do governo central, estamos muito preocupados com o futuro”, afirmou José Modelski Júnior, secretário-geral da Confederação Democrática dos Trabalhadores na Alimentação e Afins (Contac-CUT), entidade que solicitou a realização da audiência.

Modelski alertou que o bloqueio de contas da empresa poderá inviabilizar a produção e atingir os trabalhadores. “Deveriam bloquear os bens dos proprietários e não as contas da empresa, inviabilizando a continuidade do trabalho”, defendeu.

Já o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Rio Grande do Sul, Valdemir Moreira Corrêa, criticou o fato de o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), que financiou a expansão da empresa e hoje detém 24% de suas ações, nunca ter exigido a manutenção de empregos como contrapartida social. “Os trabalhadores não podem pagar o pato pelas práticas incorretas dos donos da empresa, especialmente, quando a empresa foi amplamente beneficiada com recursos públicos”, apontou.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT/RS), Claudir Nespolo, criticou ações do Ministério Público Federal que têm como consequência a “destruição do emprego no Brasil”. “Há um levantamento que mostra que, para cada preso da Lava a Jato, são destruídos 22 mil empregos. Não queremos o fim das investigações. Queremos que os acordos de leniência e os bloqueios ocorram sobre os pró-labores, como acontece em outros países. Não dá mais para o Ministério Público Federal continuar destruindo as cadeias produtivas em nome do combate à corrupção. Não sobrará nada, além de empregos precários”, advertiu.

Impacto nos municípios
Pelo menos dez municípios gaúchos poderão ser atingidos pela crise da JBS. Estes locais abrigam, além de unidades de abates, granjas, incubatórios, fábricas de ração e de embutidos. Os sindicalistas alertam, no entanto, que o impacto econômico do fechamento de uma unidade produtiva pode afetar toda a região e produzir reflexos em toda a cadeia produtiva da carne. “Cada emprego direto na JBS corresponde a seis na cadeia produtiva”, contabiliza Modelski.

Localizado na região Noroeste do Estado, o município de Frederico Westphalen tem mais de 20% de sua arrecadação oriunda de uma unidade da JBS, que emprega 640 trabalhadores. De acordo com o secretário municipal de Indústria e Comércio, Paulo Lima, a presença da empresa na cidade deu segurança para realização de uma série de ações, como a ampliação do hospital e do ensino universitário. “Perder o investimento, desestabilizará toda a cidade, colocando em risco projetos em várias áreas”, prevê.

Encaminhamentos
O vice-procurador chefe do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul, Gilson Luiz Laydner de Azevedo, anunciou que encaminhará a questão do acordo de leniência ao Procurador-geral do Trabalho com o intuito de buscar “alguma garantia em relação aos empregos”.

A deputada Zilá Breitenbach (PSDB) disse que vem acompanhando a situação da JBS e que irá se somar ao trabalho da Comissão de Saúde e Meio Ambiente. “Precisamos ver o que é boato e o que é fato, mas não podemos esperar que as coisas aconteçam para depois correr atrás de uma solução”, recomendou.

O presidente da Comissão propôs o agendamento de uma reunião com o Ministério Público Federal e com o Ministério da Agricultura, que, segundo os trabalhadores, vem adotando critérios mais rígidos nas fiscalizações que realiza na empresa do que em outras indústrias.

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