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Soja exerce maior peso nas exportações agropecuárias do Rio Grande do Sul

Titular da Seplag, Leany Lemos, destacou que o agronegócio responde por mais de 1/3 do PIB gaúcho
 Guilherme Almeida Guilherme Almeida

As exportações do agronegócio gaúcho totalizam 5,1 bilhões de dólares no primeiro semestre. O montante comercializado no mercado externo, no entanto, é 15,5% inferior aos resultados contabilizados em igual período de 2018. “Mesmo com a produção em alta, a soja influenciou o desempenho negativo, com queda de 48,2% nos volumes embarcados e na média de preços”, afirmou o economista Sergio Leusin Jr, do Departamento de Economia e Estatística, vinculado à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (DEE/Seplag). Segundo ele, no ano passado houve um cenário atípico, por conta da forte demanda sobre o produto por parte da China, principal parceiro do setor primário gaúcho. Apesar do resultado negativo, a soja representou o maior peso nas exportações agropecuárias do Rio Grande do Sul entre janeiro e junho, totalizado 1,6 bilhão de dólares. 

Por outro lado, os crescimentos significativos ficaram por conta dos produtos florestais, movimentando 1 bilhão de dólares, com variação positiva de 56,2%. Já a cadeia do fumo e seus derivados cresceu 25,2%, passando dos 794 milhões de dólares entre janeiro e julho. Na quarta posição, o segmento de carne somou 659,5 milhões de dólares no período. No segundo trimestre, o setor registrou o mais significativo salto em termos de vendas para o exterior: 74,4%, puxado pela comercialização das carnes de frango (+108,2%) e suína (+91%).

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Os números figuram no estudo denominado de Painel do Agronegócio do RS e foram divulgados nessa terça-feira na Expointer, em Esteio. O estudo avaliou ainda a geração de empregos formais pelo setor e projetou um cenário mais otimista para o fechamento do ano. “Apesar da fraca retomada da economia brasileira, o Rio Grande do Sul vem crescendo acima da média nacional. O agronegócio tem um peso importante, pois responde por mais de 1/3 do PIB gaúcho”, salientou a titular da Seplag, Leany Lemos, acrescentando que, confirmando o incremento nas exportações, a expectativa é de bons resultados na economia no segundo semestre.

Os primeiros seis meses do ano foram marcados por  queda de demanda externa - até julho, apenas 25% da safra gaúcha foi embarcada e, em 2018, totalizou 43,6% -, a alta produção da safra atual é um indicador do potencial de crescimento das exportações de soja no segundo semestre. “Para tanto, é preciso que a conjuntura internacional colabore. O mercado precisa reduzir o grau de incertezas diante do acirramento da disputa comercial entre Estados Unidos e China”, projetou  Leusin Jr.

Segundo Leusin Jr., os reflexos do contexto externo ficam visíveis também quando se observa o desempenho das exportações do segundo trimestre deste ano, comparativamente ao mesmo trimestre do ano anterior. Houve queda no segundo período na comparação com os primeiros três meses em termos de valor (-18,1%) e no volume dos embarques (-14,5%), representando redução de 617,4 milhões de dólares no faturamento. Somente soja respondeu por 805 milhões de dólares deste prejuízo, dada a redução da demanda chinesa e de maior oferta no mercado internacional. 

O Painel do Agronegócio do RS apontou a China como maior destino da produção gaúcha: 35,6%. No entanto, em consequência da queda de compras de soja, os negócios com os chineses tiveram a maior queda absoluta: 34,8%, o que significou perda 978,1 milhões de dólares no primeiro semestre na comparação com igual período de 2018. Em contrapartida, contrariando a tendência de queda, Estados Unidos e Arábia Saudita registraram os maiores incrementos nas compras de produtos do agronegócio gaúcho. Enquanto os americanos ampliaram a compra de máquinas e implementos (tratores), os árabes aumentaram a aquisição de carne de frango.

Emprego Formal 

Por conta da sazonalidade da produção agrícola no Estado, o número de pessoas com carteira assinada teve queda no segundo trimestre. Na comparação com os primeiros três meses  do ano, houve redução de 15.583 postos de trabalho. “O fenômeno se explica pela desmobilização parcial dos trabalhadores contratados de maneira temporária para atender a colheita da safra de verão, concentrada no primeiro trimestre”, destacou o analista do DEE, Rodrigo Feix. Entre janeiro e março deste ano, o setor registrou a marca histórica de 70 mil admissões no período, com incremento de 25,2 mil empregos. Ao final do segundo trimestre havia 329.143 empregos com carteira assinada no agronegócio gaúcho - 13% do total no Estado.

De acordo com Feix, a redução de postos de trabalho atingiu os três segmentos que caracterizam o agronegócio: antes, dentro e depois da porteira. “O setor menos afetado pelas demissões foi o formado por atividades relacionadas ao fornecimento de insumos, máquinas e equipamentos, com saldo negativo de 52 empregos”, frisou. As atividades agroindustriais e comércio atacadista foram  responsáveis pelo fechamento de 6.477 postos de trabalho no segundo trimestre. “Mas foi dentro das propriedades que a situação foi mais delicada: menos 9.054 postos em atividades da agropecuária, em especial na produção das lavouras permanentes, sobretudo pelo fim da colheita da maçã na região de Vacaria”, enfatizou.

No primeiro semestre foram criadas 9.686 vagas com carteira assinada no agronegócio gaúcho. No mesmo período de 2018 tinham sido 10.913 empregos. A cadeia do fumo foi a que mais criou vagas neste ano: 9.707 postos. As lavouras permanentes (com 1.454 postos) e a fabricação de máquinas e implementos (1.150) aparecem na sequência. O setor de máquinas e implementos registrou curva positiva nos últimos três anos, acumulando quase 1.800 novos empregos. Já a produção de lavouras temporárias e a fabricação de conservas tiveram os maiores registros em termos de fechamento de vagas entre janeiro e julho deste ano, com 1.679 e 1.178 respectivamente.

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