Ouça Agora

95.9 FM / AM 1160

RS elege 12 deputadas estaduais e federais, quatro a mais que na última eleição

3 mulheres estão entre os 6 deputados estaduais mais votados

Nesta eleição de 2018, houve um aumento da presença feminina na Câmara de Deputados e nas assembleias legislativas por todo país. No Rio Grande do Sul, nove mulheres estão na lista de deputados estaduais eleitos - em 2014 foram sete. Três delas estão entre os seis mais votados. Outras três mulheres aparecem entre os deputados federais que representarão o estado em Brasília. No pleito anterior, era apenas uma.

A deputada estadual mais votada entre as mulheres foi Any Ortiz (PPS), com quase 95 mil votos. É advogada formada pela PUCRS. Em 2012, aos 28 anos, foi eleita vereadora de Porto Alegre. Em 2014, com apenas dois anos de mandato na Câmara de Vereadores, decidiu tentar um cargo na Assembleia Legislativa e elegeu-se. Quatro anos depois, tentou a reeleição e foi a terceira mais votada dos 55 deputados eleitos.

“Fico extremamente feliz com esse resultado, porque isso é fruto de muita dedicação e anos de trabalho. Continuarei com a certeza da responsabilidade que eu tenho de lutar por um estado mais igual e próspero, principalmente combatendo os privilégios da classe política”, diz.

Sobre a maior representatividade feminina na Assembleia, Any acredita que as pessoas estão confiando cada vez mais no trabalho realizado. “O principal é mostrar que as mulheres estão batalhando pelo seu espaço e que elas têm muita competência para estar onde elas quiserem”, destaca.

Segunda mulher mais votada, Silvana Covatti (PP) foi eleita com 75 mil votos. Silvana começou sua carreira na política atuando como voluntária nos bastidores, em um período onde assumiu a presidência da Mulher Progressista do RS. Em 2016, foi a primeira mulher a assumir, em 180 anos de história, a presidência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Agora, vai para seu quarto mandato como deputada estadual.

Para ela, o aumento do número de mulheres em cargos públicos mostra a importância do protagonismo do gênero. “A importância da mulher na vida pública tem um significado enorme. Eu andei todo o estado em campanha e pude ver a mobilização de todas. Temos que fazer parte das decisões do estado e do país”, diz.

Silvana acredita que ainda há muito para avançar, mas que os próximos passos estão sendo dados. “Estamos planejando para o próximo mandato uma valorização da mulher, da família gaúcha em termos de oportunidades para os jovens”, relata.

Luciana Genro (PSOL), também eleita deputada estadual, é advogada com pós-graduação em Direito Penal e uma das fundadoras do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Já cumpriu dois mandatos como deputada estadual e dois como deputada federal. Em 2008, concorreu pela primeira vez à Prefeitura de Porto Alegre, obtendo 10% dos votos. Neste pleito de 2018, teve quase 74 mil votos para o novo mandato como deputada estadual.

Para ela, a eleição de mulheres fortalece um polo de resistência. “Conseguimos eleger mulheres bastante significativas no estado. E acredito que isso esteja estimulando a consciência das pessoas no voto”, diz.

A deputada relembra a primeira vez que concorreu a um cargo eletivo. “Em 1994, quando concorri pela primeira vez, eu não tinha grandes apoios. Naquela época, mulher não votava em mulher. Então eu vejo um avanço extraordinário nesse nível de consciência, e isso está se refletindo no voto".

Completam a lista de mulheres eleitas como deputadas estaduais Kelly Moraes (PTB), Juliana Brizola (PDT), Franciane Bayer (PSB), Sofia Cavedon (PT), Zilá Breitenbach (PSDB) e Fran Somensi (PRB).

Câmara dos Deputados

Para a Câmara dos Deputados, em Brasília, o Rio Grande do Sul elegeu três mulheres: Fernanda Melchionna (PSOL), Maria do Rosário (PT) e Liziane Bayer (PSB). A deputada do PSOL obteve 114 mil votos, sendo a oitava mais votada dos 31 deputados eleitos. “Pra mim é um reconhecimento da luta e da tradição do partido”, diz.

Melchionna é bibliotecária de formação e bancária licenciada do Banrisul. Atualmente está no seu terceiro mandato como vereadora de Porto Alegre, sendo a parlamentar mais votada na última eleição, em 2016. Agora, ela pretende levar os projetos para Brasília.

Para a deputada eleita, é inegável que as mulheres protagonizaram grandes momentos de luta recentemente. “Queremos batalhar pelo fim da desigualdade de gênero e salarial, pela Lei Maria da Penha, pela garantia das medidas protetivas, pela educação, pela juventude”, destaca. “As mulheres terão um papel fundamental na luta política por igualdade. Ainda somos uma minoria no Congresso, mas iremos lutar”, diz Melchionna.

Reeleita deputada federal pela quarta vez, Maria do Rosário (PT) é professora formada e mestre em Educação pela UFRGS. Já cumpriu dois mandatos como vereadora de Porto Alegre. Foi eleita deputada estadual em 1998 e, em 2002, elegeu-se deputada federal, sendo reeleita em 2006, 2010, 2014 e agora em 2018, com 97 mil votos. Também foi ministra dos Direitos Humanos no governo Dilma Rousseff.

Maria do Rosário diz que pretende continuar o trabalho que já vem realizando na Câmara dos Deputados. “Eu tenho como marca a defesa dos direitos das crianças, dos adolescentes, das mulheres, da população LGBT, e tenho diversos projetos de lei tramitando nestes setores. Já tive algumas vitórias e continuarei lutando pelos outros projetos”.

Sobre o aumento do número de mulheres na Câmara, Maria do Rosário diz ser um momento importante. “Significa muito termos três mulheres eleitas para deputada federal. Acredito que nossa meta agora seja sempre abrir mais portas para outras mulheres, em todos os sentidos”, diz.

A jovem na política Liziane Bayer (PSB), eleita com quase 53 mil votos, completa a lista de três mulheres para a Câmara dos Deputados. Liziane começou a carreira despretenciosamente. Em 2012, nas eleições municipais, tinha o intuito de se candidatar a vereadora de Porto Alegre, mas acabou não o fazendo. Em 2014, decidiu arriscar e candidatou-se a deputada estadual. "Foi uma aposta. Queria começar a me preparar, a me envolver nas questões políticas. E qual não foi a minha surpresa quando me elegi", conta.

O mesmo aconteceu em 2018, quando decidiu concorrer a deputada federal e foi eleita com mais de 50 mil votos. "Fiquei muito surpresa, pois foi uma campanha bem acirrada. E tem que ter peito para concorrer", diz. Nesta eleição, Liziane deixou uma sucessora, sua irmã Franciane Bayer (PSB). "Precisava deixar alguém para tocar os meus projetos na Assembleia, e a minha irmã é a pessoa perfeita para isso".

Sobre a presença de mais mulheres em cargos eletivos, Liziane acredita que elas estão se aproximando cada vez mais das discussões. "Quando a gente entra, vemos que não é nenhum bicho de sete cabeças", conta.

Mais notícias