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Mais de 40 fiscais serão destacados para fiscalizar a aplicação de agrotóxicos em lavouras no RS

Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural vai atuar nas regiões da Campanha, Central e Campos de Cima da Serra
Foto: Michel Filho Foto: Michel Filho

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural vai destacar mais de 40 fiscais agropecuários para controlar o uso de agrotóxicos como o 2,4-D no Rio Grande do Sul. A decisão foi tomada após a comprovação de prejuízos a algumas culturas em mais de 20 municípios.

A fiscalização ocorrerá nas regiões da Campanha, Central e Campos de Cima da Serra. Os produtores que quiserem aplicar este tipo de herbicida hormonal terão de se cadastrar até maio de 2020 e fazer um treinamento específico.

Algumas regras precisam ser obedecidas, como a aplicação com uma velocidade do vento inferior a 10km/h, umidade relativa do ar superior a 55% e temperatura inferior a 30ºC. O dono da lavoura terá de assinar ainda um termo de responsabilidade na hora da compra e informar quando fará a aplicação.

"No cadastro ficarão as coordenadas da lavoura onde será aplicado o produto. Então, hoje, poderemos responsabilizar em caso de dano", diz a engenheira agrônoma da Emater Katiule Morais.

A medida foi tomada após a constatação de que algumas culturas mais sensíveis, como a uva, a maçã e a oliva, foram prejudicas por este tipo de agrotóxico por deriva, ou seja, quando a aplicação de defensivo agrícola não atinge o local desejado. Isto pode ocorrer por evaporação, escorrimento e/ou deslocamento para outras áreas através do vento.

O 2,4-D é utilizado em lavouras de soja. Porém, em algumas regiões, ele foi constatado em parreirais.

O controle foi estabelecido por meio de acordo entre o governo do Rio Grande do Sul com o Ministério Público. Instruções normativas foram publicadas no Diário Oficial do Estado no dia 5 de julho.

O produtor rural Cleber Francisco Piasentin, de Silveira Martins, estima uma perda de cerca de R$ 30 mil por mudas que foram atingidas pelo herbicida em sua propriedade. O problema teria surgido após a aplicação de um vizinho em sua plantação de soja. Como não conseguiu comprovar a origem, precisou arcar com o prejuízo.

O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) estima que o uso errado deste produto causou um prejuízo de mais de R$ 100 milhões no estado apenas em 2018.

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