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Justiça aceita denúncia contra 16 envolvidos na fraude do leite no RS

Crimes são organização criminosa, lavagem de dinheiro e adulteração.Réus têm prazo de 10 dias para responder à acusação. Crimes são organização criminosa, lavagem de dinheiro e adulteração.Réus têm prazo de 10 dias para responder à acusação.

A Justiça do Rio Grande do Sul aceitou nesta terça-feira (26) a denúncia do Ministério Público (MP) contra 16 envolvidos na oitava fase da operação Leite Compensado. A ação, deflagrada na semana passada na Região Norte do estado, busca coibir ações de fraude no produto com a adição de substâncias que não fazem parte de sua composição. Entre os crimes cometidos estão lavagem de dinheiro, organização criminosa e adulteração de produto alimentício para consumo.A decisão é do juiz de direito da 2ª Vara Criminal do Foro de Erechim, Antonio Carlos Ribeiro. Conforme o promotor Mauro Rochemback, entre os denunciados, estão motoristas, laboratoristas, dois administradores da empresa Cotrel, de Erechim, que já fora investigada na sétima fase da Leite Compensado, o presidente da Coopasul, de Campinas do Sul, quatro produtores rurais, o dono da empresa Odair Transportes Ltda., Odair Melati, e a esposa dele e sócia da empresa, Delair Melati.O juiz determinou ainda a quebra de sigilo bancário de quatro pessoas, referente o período de novembro de 2013 até a presente data, juntamente com a microfilmagem de todos os cheques por eles emitidos. Os réus têm prazo de 10 dias para responder à acusação.A oitava fase da operaçãoInvestigações verificaram alteração na densidade do leite, por adição de produtos como sal, açúcar ou amido de milho, acidez elevada, que indica a deterioração por micro-organismos e adição de soro de leite. Segundo o MP, houve fraude nos produtos crus refrigerados entregues pela empresa Transportes Odair Ltda. e recebidos pela Cooperativa de Pequenos Agropecuaristas de Campinas do Sul (Coopasul). Também foi emitida ordem judicial para apreensão de quatro caminhões que fazem o transporte do leite.Os investigados são um casal proprietário da Transportadora Odair Ltda., três motoristas da empresa, um responsável pelo laboratório da Coopasul, além do presidente da cooperativa, que, conforme o Ministério Público, recebia as cargas de leite adulterado e dava a destinação final, a partir da diluição do leite velho com o bom.Ainda segundo o MP, as investigações mostram que o transportador lançou na conta de uma produtora rural até o triplo do leite coletado, o que disfarçaria o aumento no volume do leite a partir da adição de água. Foi indicado, inclusive, um escritório de contabilidade para "ajeitar" o imposto de renda da produtora. Procurado pela RBS TV, o presidente da cooperativa negou a existência de fraude e adulteração. Já o dono da transportadora, Odair Melati, preferiu não se manifestar sobre a operação.A Operação Leite Compensado teve sua primeira fase desencadeada em 8 de maio de 2013, quando investigações apontaram para um esquema que adulterou cerca de 100 milhões de litros do produto no estado. Na ocasião, o MP revelou que transportadores estavam adicionando água e ureia (que contém formol) ao leite cru para aumentar o volume e disfarçar a perda nutricional no caminho entre a propriedade rural e a indústria. O esquema era realizado em postos de resfriamento. (Nelson Buzatto) 

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