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Incentivo ao teste do HIV é tema de campanha no RS

1º de dezembro marca o Dia Mundial de Luta contra a Aids.Secretaria de Saúde do RS tem ações para marcar a data. 1º de dezembro marca o Dia Mundial de Luta contra a Aids.Secretaria de Saúde do RS tem ações para marcar a data.

Ao longo de mais de três décadas, a epidemia de Aids ficou mais complexa e seu controle é um desafio às autoridades. O resultado positivo deixou de ser uma sentença de morte, mas o impacto do HIV sobre a qualidade de vida é enorme. A melhor alternativa continua sendo evitar a infecção e apressar o diagnóstico. Para marcar o 1º de dezembro, ­ Dia Mundial de Luta contra a Aids, ­ a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul lançou uma campanha para incentivar o teste de HIV. O exame é gratuito, sigiloso, anônimo e disponível na maioria dos postos de saúde. A mensagem reforça que ter a doença e não saber traz mais riscos, tanto para o portador quanto para seus parceiros ou parceiras. Quem não sabe que tem o vírus, retarda o tratamento e ainda pode transmitir a doença para as pessoas com quem se relaciona. Uso do preservativo é essencial como forma de prevenção (Foto: Divulgação/SES) Como estratégia para enfrentar uma doença cuja incidência entre os gaúchos é a maior do país há oito anos, o Rio Grande do Sul é o primeiro Estado brasileiro que investe recursos próprios para o combate à Aids. Esse trabalho busca facilitar o acesso aos testes de detecção rápida do HIV. O diagnóstico precoce é fundamental para o resultado do tratamento, além de ser decisivo para evitar a chamada transmissão vertical, quando o vírus passa da mãe para o bebê. Essa iniciativa inclui o cuidado à Aids na rede de Atenção Básica de Saúde, além do investimento de 15 milhões de reais do orçamento estadual nos 64 municípios que concentram 90 por cento dos casos no Estado. Esse valor financia a montagem de uma rede capaz de apressar o diagnóstico e estimular as pessoas a manterem o tratamento. A Secretaria Estadual de Saúde também regularizou o fluxo de repasses de recursos para organizações não governamentais que atuam na prevenção à doença e destinou 5,7 milhões para atividades do setor. Só em 2014, foram distribuídos mais de 33 milhões de preservativos e o teste rápido está disponível em 334 municípios gaúchos. Perfil da epidemia A incidência de Aids entre os gaúchos é a maior do país. Em 2013, foram 4.443 diagnósticos, mantendo uma média de 41,3 novos casos por 100 mil habitantes, taxa que é mais que o dobro da nacional (20,2). Em Porto Alegre o número chega a ser cinco vezes maior que a média do Brasil. Esse panorama se dá por um somatório de fatores. Entre eles, a necessidade de lidar com uma percepção que subestima o risco de infeção. Além do assunto continuar encoberto por certo tabu, a doença passou de ameaça fatal a uma condição crônica. Os grupos etários que não viveram a explosão de casos na fase inicial da epidemia não tem hábito de usar preservativo. Prioridade Os resultados já começaram a aparecer. A taxa de detecção de casos de Aids em menores de cinco anos caiu 30 por cento entre 2012 e 2013, passando de 8,8 casos por 100 mil habitantes para 6,2 casos. O acesso aos testes rápidos do HIV em Unidades Básicas de Saúde já é quase três vezes maior no Rio Grande do Sul do que no restante do país. Em 60,86 por cento dos casos, os usuários procuram e encontram o teste nas unidades. Um número crescente de municípios gaúchos adere aos programas de enfrentamento às DST/Aids e, com isso, a expectativa é que a epidemia se estabilize. As ações da Saúde do Estado estão voltadas para prevenir a infecção e apressar o diagnóstico. Para isso, colocou como meta testar todas as gestantes gaúchas durante o pré­-natal e proteger seus bebês. As áreas de fronteira também são prioritárias para chegar a uma população de meninas que são alvo da exploração sexual nas estradas gaúchas. 1º de dezembro é Dia de Luta Mundial Contra a Aids (Foto: Divulgação/SES) Teste rápido O teste rápido de HIV e sífilis é seguro e sigiloso. Realizado a partir da coleta de uma gota de sangue da ponta do dedo. O resultado sai em cerca de vinte minutos e é comunicado diretamente por um profissional capacitado. O serviço também oferece aconselhamento e indica outros serviços de referência, em caso de necessidade. A principal vantagem é a rapidez. Pelo método tradicional, o prazo de espera chegava a 30 dias e a pessoa precisava retornar à unidade básica de saúde para obter o resultado, o que muitas deixam de fazer. Por que fazer o teste de HIV? Saber do contágio pelo HIV precocemente aumenta a expectativa de vida do soropositivo. Quem busca tratamento especializado no tempo certo e segue as recomendações ganha em qualidade de vida e evita a transmissão. Além disso, as mães soropositivas têm 99 por cento de chance de terem filhos sem o HIV se seguirem o tratamento recomendado durante o pré­natal, parto e pós­parto. Quando fazer? O teste está indicado em pessoas que passaram por uma situação de risco. Não deve ser feito de forma indiscriminada e a todo o momento. O exame detecta a presença de anticorpos no sangue e a infecção pode ser detectada com, pelo menos, 60 dias a contar da situação de risco, período chamado de janela imunológica. Quais são as situações de risco? O HIV pode ser transmitido por relações sexuais desprotegidas (sem o uso do preservativo), anais, vaginais e orais; pelo compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas e de mãe para filho durante a gestação, o parto e a amamentação. Beijo, toque, abraço, aperto de mão, compartilhamento de toalhas, talheres, pratos, suor ou lágrimas não transmitem a doença e não há risco nesses tipos de contato com uma pessoa soropositiva. (Nelson Buzatto) 

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