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Grupo faz voluntariado em Três Passos após morte de Bernardo

Mulheres se uniram após o desaparecimento do menino, em 2014
Foto: Carolina Cattaneo Foto: Carolina Cattaneo

Um grupo de mulheres que conhecia Bernardo Boldrini, morto em 2014, encontrou uma forma de tentar amenizar a dor da perda. A ideia surgiu de professoras e funcionárias da escola em que o menino estudava, que conviviam diariamente com ele. Para aliviar o sofrimento, elas passaram a realizar ações solidárias para quem necessita.

“A gente tentou transformar esse sofrimento em alguma coisa boa, em alguma coisa produtiva”, afirma Denise Escher, que foi psicóloga da escola em que Bernardo estudou.

Elas salientam que nunca tiveram interesse em divulgar esse trabalho ou se promover por meio disso. Realizam as ações como uma forma de colocar para fora o que sentem.

O grupo arrecada doações para crianças abrigadas em lares, idosos que estão em asilos, e mães que vão para o hospital dar à luz e não têm roupas para o bebê.

“Isso tudo surgiu por causa do Bê, então pensamos em alguma coisa para as crianças do lar, casa de passagem, ali que começou. Começamos a fazer os aniversários do Bê,após a morte dele, no lar, e a gente levava cama elástica, brinquedos. Começamos a perceber que faltavam muitas coisas lá", conta a aposentada Isolda, que preferiu não informar o sobrenome.

"A gente faz também uns kits. Juntamos doações de roupas, e outras coisas que confeccionamos e levamos ao hospital. Aí uma assistente social distribui para quem não tem”, acrescenta.

O grupo recebeu o nome de “Amigas do Bem”. Pessoas de outros estados também começaram ajudar com homenagens ao Bernardo. É o caso da aposentada Asileide Medeiros de Oliveira, conhecida como Vovó Zizi, que mora no Rio Grande do Norte, e se sensibilizou com a história do menino.

Isolda conta que, quando foi de férias para a Região Norte, conheceu a amiga que fez pelo Facebook.

“Ano passado fui fazer uma viagem para o Mordeste, e ela,Zizi, veio me procurar. Tivemos muita ajuda dela. Ela nunca veio ao Rio Grande do Sul, mas sabe tudo sobre a história do Bernardo”, conta.

Até hoje, há banners pedindo justiça na frente da casa onde Bernardo morava com o pai, a madrasta e a irmã. Inclusive pessoas de outros estados pagam por esses cartazes, que são colocados pelo grupo de mulheres. Até mesmo flores enviadas da Alemanha chegaram em homenagem ao menino.

“Um pouco dessa união, quem fez foi também o pessoal de fora. Converso com elas pelo Facebook”, diz a ex-professora de Bernardo Susana Ottonelli.

De tempos em tempos, elas fazem uma faxina em frente à residência. Mas já informaram que os cartazes só vão ficar no local até o fim do julgamento.

 

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