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Fábrica clandestina de cigarros é descoberta em operação conjunta em São Sepé

Organização criminosa falsificava conhecidas marcas paraguaias e faturava meio milhão de reais por dia

Um esquema milionário de falsificação de cigarros no Rio Grande do Sul, envolvendo até uma fábrica clandestina, é alvo ao amanhecer desta quinta-feira da operação "B.O"., deflagrada em conjunto pela Polícia Civil, Ministério Público do Estado, Polícia Rodoviária Federal e Instituto-Geral de Perícias. Até o momento 17 pessoas foram presas, sendo seis brasileiros e 11 paraguaios, em uma propriedade rural situada às margens do km 290 da BR 392, no município de São Sepé. No momento da abordagem policial no local, as máquinas encontravam-se em pleno funcionamento e que alguns dos suspeitos foram presos nos postos de trabalho. Maquinário e insumos para a fabricação de cigarros, como tabaco triturado, filtros e embalagens de maços, além de caminhões para transporte, estão entre o material apreendido. Centenas de caixas de cigarros ilegais estavam prontas para a distribuição.

As investigações duraram cerca de quatro meses. A fábrica clandestina de cigarros estava em funcionamento havia cerca de um ano, sendo produzidos por dia mais de 100 mil maços de cigarros falsificados com nomes de conhecidas marcas paraguaias, totalizando 3 milhões de carteiras por mês. A média diária era de 200 caixas do produto, contendo cada um 50 pacotes. O trabalho investigativo apurou que o faturamento ficava em mais de meio milhão de reais por dia. A organização criminosa era formada por um grupo que reside em outros estados e gerencia a produção remotamente.

Pela Polícia Civil, a coordenação da operação está com a Delegacia de Polícia de Proteção ao Consumidor do Departamento Estadual de Investigações Criminais de Porto Alegre, sob comando do delegado Joel Wagner, e da Delegacia de Polícia Regional de Santa Maria, chefiada pelo delegado Sandro Meinerz. Já no Ministério Público do Estado, o trabalho é conduzido pela Promotoria Especializada do Consumidor, com o Promotor de Justiça Alcindo Bastos. Por sua vez, a Polícia Rodoviária Federal mobilizou o Núcleo de Operações Especiais.

O delegado Joel Wagner desconfia que o tabaco empregado como matéria-prima seja gaúcho. “O RS é um grande produtor, então é possível que seja daqui...”, avaliou. Com o aumento da fiscalização nas rodovias, acrescentou, o contrabando está sendo substítudo pela produção do produto em território brasileiro. Além do abastecimento no mercado gaúchos e de outros estados, o delegado Sandro Meinerz acredita que exista também um esquema internacional de distribuição do cigarro falsificados. “Na embalagem tem uma inscrição em espanhol e uma outra que pode ser uma língua do Leste Europeu”, observou. O Uruguai seria um dos destinos.

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