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Cresol Confederação tem forte avanço na área de crédito rural

Cledir Magri, presidente da Cresol Confederação: resultados cresceram 43% em 2020, melhor ano de sua história
Foto: Divulgação Foto: Divulgação

Com destaque para a agricultura familiar, o Jornal Valor Econômico, um jornal de economia, finanças e negócios brasileiro apresenta uma reportagem sobre o tema, destacando a atuação do Sistema Cresol que representa 65% de uma carteira que já atinge R$ 10 bilhões.

A Cresol Confederação, que reúne quatro centrais e 75 cooperativas de crédito em 18 Estados brasileiros, driblou os obstáculos causados pela pandemia, sobretudo para manter a proximidade com os cooperados nas 625 agências espalhadas pelo país, e alcançou os melhores resultados da história, com crescimento de 43% em 2020. Os ativos do grupo aumentaram de R$ 9 bilhões para R$ 12,9 bilhões, e o patrimônio líquido, de R$ 1,3 bilhão em 2019, fechou o ano passado em R$ 1,6 bilhão.

Parte importante desse crescimento deve-se aos desembolsos de financiamentos rurais, que somam 65% da carteira total de crédito de R$ 9,8 bilhões dos 640 mil associados do sistema Cresol - a carteira de agronegócios do Banco do Brasil, líder do ramo no país, beira os R$ 200 bilhões. Os empréstimos para o setor aumentaram 30% em 2020 e passaram de R$ 4 bilhões para R$ 5,2 bilhões. O foco continua na agricultura familiar, que representa cerca de 80% do público do campo, mas já há movimentos para ampliar a participação junto a empresas de outros ramos e produtores de médio e grande portes. A estratégia é não ficar dependente de apenas um segmento.

Para atender um público que continuou indo presencialmente às cooperativas mesmo com a pandemia, a Cresol precisou contornar as restrições para receber os cooperados com protocolos de sanidade. A entidade também procurou ampliar a “proximidade virtual”, com reuniões por videoconferência para debater operações complexas, contatos por telefone, mensagens mais frequentes e o desenvolvimentode plataformas para contratações online, que deverão estar disponíveis em breve.

“Não podíamos, mesmo em meio à pandemia, perder essa proximidade, pois ela gera confiança e transparência”, afirmou Cledir Magri, presidente da Cresol Confederação, ao Valor. O relacionamento quase pessoal com os clientes, segundo ele, fez diferença. “A atuação bastante centrada no agro também teve papel preponderante porque o setor vive um cenário ímpar de preços e produtividade”.

Com o aumento de 66% nos depósitos, que alcançaram R$ 5,5 bilhões em 2020 e chegaram a R$ 6,1 bilhões neste mês, a Cresol teve o “combustível” necessário para fazer a roda da economia girar, e o agronegócio foi o tomador mais voraz desse dinheiro, na esteira dos bons resultados da safra e da maior necessidade de crédito com a alta dos custos de produção. “Está no DNA do agricultor investir e ampliar a produção. Todos os indicadores cresceram, mas o agro cresceu ainda mais”, disse Magri.

Nesse cenário, a Cresol tem praticamente dobrado de tamanho a cada dois anos e meio, em termos de sócios ativos, cooperados ou colaboradores. Pensando nisso, espera expandir a atuação física no Centro-Oeste e no Norte do país até 2025, após consolidar a presença no Sul e no Sudeste. Faz parte do plano, ainda, reforçar o atendimento nas bases e de forma digital, e centrar foco no agro sem perder a visão do entorno.

Os números atuais talvez fossem inimagináveis nos primórdios da Cresol, quando 27 pequenos agricultores de Dois Vizinhos (PR) se juntaram, em 24 de junho de 1995, com investimento de apenas R$ 720, para criar a cooperativa. Mas a necessidade, que foi a busca por crédito para produzir, continua latente.

De julho de 2020 a abril deste ano, foram desembolsados R$ 2,5 bilhões pelo Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), carro-chefe da Cresol. Na próxima temporada, a expectativa é emprestar até R$ 3,1 bilhões. Além de recursos próprios, a entidade é a única a operar recursos equalizados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para custeio, um diferencial que ajuda a aumentar os valores financiados.

O BNDES, aliás, é o maior parceiro e a principal fonte de recursos de investimentos operados pela Cresol.

O funding do crédito - inclusive de custeio - do sistema cooperativo é composto ainda por repasses do Banco do Brasil e pelos Depósitos Interfinanceiros (DIR) dos recursos obrigatórios dos depósitos à vista

de bancos como Itaú, Safra e Santander. Devido à capilaridade da cooperativa e atuação no Pronaf, essa captação tem sido ampliada nas últimas safras, afirma Magri.

A Cresol também opera recursos equalizados, que estão disponíveis há três anos para as centrais cooperativas. O valor ainda é “pequeno diante da necessidade”, conta o presidente, que quer ampliar a

operação, hoje em R$ 600 milhões. O pedido para o governo será que o limite equalizável aumente para R$ 800 milhões de recursos próprios para custeio a partir de julho, além de R$ 3,8 bilhões para investimentos com equalização via BNDES. Ao todo, Cledir Magri diz que a expectativa é operar R$ 7,8 bilhões na safra 2021/22.

Fonte: Jornal Valor Econômico

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