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Cpers rejeita alterações no pacote e afirma que proposta retira recursos do salário da categoria

Presidente do sindicato, Helenir Schürer, concedeu entrevista coletiva nesta sexta

Ao rejeitar novamente o projeto que altera sua carreira, na manhã desta sexta, os professores ligados ao Cpers afirmaram que a proposta continua retirando recursos do próprio salário da categoria para garantir o aumento ao longo dos anos. Em pronunciamento oficial nesta manhã, a presidente do sindicato, Helenir Schürer, afirmou que, diferentemente do que foi apresentado pelo governador Eduardo Leite na quinta-feira, o reajuste real em três anos ficará muito abaixo de 19,8%, porque, na prática, com o fim das vantagens temporais, é como se os valores saíssem dos triênios que os docentes em atividade atualmente recebem. 

Para explicar a situação, a presidente do Cpers utilizou o exemplo do que acontece com o seu próprio salário, atualmente de R$ 1.795. Deste valor, segundo ela, o básico fica em R$ 1.282,25 e os R$ 512,89 são referentes a triênios. Pela proposta do governo, em 2020 o valor a ser recebido por ela seria de R$ 1.650,89. Ou seja, no primeiro ano sobrariam R$ 144,25 dos triênios. No ano seguinte, o subsídio aumentaria para R$ 1.753, restando R$ 42 dos triênios e, em 2022, com o pagamento de R$ 1.861,95 – o que superaria pela primeira vez o que a professora atualmente recebe -, sobrariam R$ 66. Pelos cálculos do sindicato, o acréscimo real ficaria em 3%.

“A única coisa que mudou nesse projeto foi que ele vai ocupar mais dos nossos triênios para aumentar o subsídio entre as classes. Na essência, não mudou absolutamente nada, continuamos pagando o nosso salário”, afirmou a professora. Segundo ela, o aumento só será efetivamente de 19,8% para os profissionais que ingressarem no Magistério após a aprovação da medida. Ainda assim, comentou que, mesmo que este percentual valesse na prática para todos os professores, não compensaria a perda de 32% da inflação desde o último reajuste, em 2014. 

A presidente do Cpers disse que, a menos que o governo retire o pacote ou apresente algum outro projeto que represente um aumento considerado real pela categoria, a greve continuará forte. Nos dias 17, 18 e 19 de dezembro, quando o projeto deve entrar em votação na Assembleia Legislativa, os professores prometem grande ato. De acordo com ela, os professores só recuperarão as aulas perdidas durante a paralisação se o Executivo garantir que não haverá desconto destes dias, como sempre ocorre. “Agora, se o governo continuar nessa questão de corte do salário, vai ter que responder para as famílias dos alunos, quem dará aula pra fechar o ano letivo? Nós é que não seremos”, afirmou Helenir.

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