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Como a paralisação deve afetar serviços no RS

O sentimento de revolta é tão grande que, se déssemos a palavra para que a greve saísse hoje, ela sairia — disse o presidente da Fessergs, Sérgio Arnoud O sentimento de revolta é tão grande que, se déssemos a palavra para que a greve saísse hoje, ela sairia — disse o presidente da Fessergs, Sérgio Arnoud

Servidores estaduais batizaram a próxima segunda-feira de Dia da Indignação: data em que serviços essenciais serão paralisados ou reduzidos em função da mobilização do funcionalismo. Definido em assembleia na quarta passada, o movimento ganhou força — e adesão — nesta sexta, quando aexpectativa de que salários fossem parcelados se confirmou. A Federação Sindical dos Servidores no Estado (Fessergs) estima que em torno de 50 entidades participarão da paralisação. Entre elas, estão brigadianos, policiais civis, bombeiros, agentes penitenciários, funcionários da saúde e administrativos e professores. O impacto, porém, só poderá ser mensurado na segunda-feira, já que, mesmo que haja orientação dos sindicatos para que as categorias integrem a greve, não é possível dimensionar quantos servidores irão, de fato, cruzar os braços. — Esse parcelamento significa redução de salário. O sentimento de revolta é tão grande que, se déssemos a palavra para que a greve saísse hoje, ela sairia — disse o presidente da Fessergs, Sérgio Arnoud. Entre as áreas afetadas pelo movimento, a mais sensível promete ser a da segurança pública. Servidores da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros decidiram pelo aquartelamento na segunda-feira em todo o Estado após reunião entre nove entidades das corporações. Em uma nota, chegaram a pedir que a população permaneça em casa.  A promessa é que brigadianos e bombeiros só atendam a ocorrências de urgência: crimes contra a vida, como homicídios e estupros, incêndios e salvamentos. Deve ficar suspenso o policiamento ostensivo e o deslocamento em episódios como assaltos, por exemplo, assim como análises e vistorias de prevenção a sinistros.  Constitucionalmente, militares são proibidos de suspenderem suas atividades, mas o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar (Abamf), Leonel Lucas, defende não se tratar de uma paralisação — mas, sim, de uma redução das atividades: — Não estamos parando. E, se formos falar em lei, o governador não está cumprindo a lei quando não paga salários. Trabalhamos para preservar a ordem pública no Estado, ele está provocando a desordem no Estado. Policiais civis também devem engrossar a mobilização, conforme o presidente do sindicato que representa os agentes da corporação, Issac Ortiz. Ele diz que só serão registradas ocorrências de crimes contra a vida. Se a previsão se confirmar, quem for vítima de furto ou assalto não conseguirá comunicar o crime na segunda-feira. A Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep) divulgou nota em apoio à paralisação e orientou os associados a limitarem o atendimento aos casos de flagrante ou situações de "maior gravidade". Com o prenúncio de transtornos, a Secretaria da Segurança Pública do Estado limitou-se a informar que "possui plena confiança de que o efetivo manterá o atendimento à população" e que "avaliará cada caso antes de tomar uma decisão". Segundo a pasta, não houve sequer discussão sobre possível pedido de apoio ao Exército ou à Força Nacional para a garantia da ordem. O Comando-Geral da Brigada Militar também se manifestou dizendo "confiar que não ocorrerá a prática de qualquer ato contrariando a legislação especial vigente". Já as escolas devem ter a volta das férias, marcada para segunda-feira, adiada. O Cpers-Sindicato diz que as unidades estarão fechadas e que não haverá aulas na data. Prevendo adesão quase total do magistério, a entidade começou, ainda nesta sexta-feira, a orientar que pais e alunos não se dirijam até as unidades. A Secretaria da Educação do Estado apenas informou que as 2,5 mil unidades estarão prontas para receber os estudantes. Entre terça-feira e o próximo dia 18 — quando está marcada uma assembleia geral das categorias para avaliar uma greve unificada —, o Cpers orienta os professores a reduzirem um ou dois períodos de aula a cada dia e utilizarem o horário para explicar à "conjuntura" à comunidade escolar. A partir de quarta, sindicatos, centrais sindicais e organizações darão início a uma caravana pelo Interior com o objetivo de mobilizar servidores. Nesta sexta-feira, cerca de cem funcionários saíram em passeata pela Avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre, e chegaram a bloquear por uma hora a via em protesto contra o atroso dos vencimentos. Na segunda, a partir das 8h30min, eles se concentrarão em frente ao Centro Administrativo — que deve ter as portas fechadas pelos manifestantes. Infiormações ZH (Agostinho Piovesan)

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